domingo, 17 de junho de 2012

Euro 2012: dia 9.



"A bola não quis entrar". Uma expressão que tanto pode remeter para os sempre presentes desejos de antropomorfização de objectos inanimados, ou para conceitos filosóficos mais obscuros, como o "véu da percepção", em que só iluminados conseguem observar o que está para além dos nossos olhos. Sendo assim, os lacaios do "melhor jogador do mundo" são uns potenciais Disney e/ou Descartes. Ontem, especialmente durante o vendaval ofensivo polaco dos primeiros 20 minutos, a "bola não quis entrar" na baliza checoslovaca; e, como diria o escudeiro Sancho Pança, "quem não marca nos primeiros vinte minutos de vendaval de futebol ofensivo, arrisca-se a sofrer golo de um sujeito que bem poderia estar numa banda de death metal". E, como diria o De Niro no Casino, "that´s it".

Como não tenho o dom da ubiquidade do Freitas Lobo, que vê cinco jogos ao mesmo tempo enquanto lava a alface, não vi o Grécia-Rússia, que terminou com um resultado que me leva a considerar as seguintes hipóteses: a) Deus Nosso Senhor, afinal, é grego. b) os Russos nunca leram o "Liberdade ou Morte", do Kazantzakis. c) "a bola quis entrar" para o Karagounis. d). o senhor Merkel e seus apaniguados fizeram uma conjugação de feitiçaria para que os gregos ganhassem para assim calharem com os compatriotas do senhor Merkel nos quartos-de-final, que utilizará esse encontro como forma de castigar duramente os gregos por votarem no Syriza e demais demónios anti-troika e anti-desejos de expansão dominadora que nunca está adormecida nos cérebros do senhor Merkel e seus súbditos. Seja como for, tudo é possível a partir de agora. Menos, claro, Milners e companhia erguerem a taça. Jamais, putanheiros.