segunda-feira, 11 de junho de 2012

Euro 2012: dia 3.



Uma pessoa (ou mesmo eu) está a ver o Xavi, o Fabregas, o Pirlo, o David Silva, o De Rossi ou esse sublime Iniesta, e pergunta-se o que é que leva alguém possuidor do mínimo de calibragem mental a classificar o Damien Hirst como "um dos grandes artistas contemporâneos". Esta gente deseja assim tanto mal ao mundo? "O futebol é a inteligência em movimento", escreveu Camus. Ontem, Espanha e Itália concretizaram quase na perfeição a boutade; quase, porque andava por lá Balotelli, a mostrar que essa coisa da perfeição é coisa chata e quimérica. Um benigno lampejo de retardadismo mental numa imensidão de sábios. Pirlo, podes enrabar-me com classe, se faz favor. 

No segundo jogo da noite, jogou a Croácia contra uma equipa que utiliza as mesmas armas futebolísticas dos tempos da Revolução Industrial. Luca Modric, óptimo jogador, esteve discreto, talvez agoniado pelo cheiro a aguardente que emanava do meio campo irlandês. Este jogo fez lembrar aquelas partidas de infância em que um tipo, astuto, escolhia os melhores jogadores para a sua equipa e deixava toda a coxidão para a equipa adversária; neste caso, ainda foi pior, pois a disparidade de valores entre croatas e duendes é ainda maior do que nessas partidas nos adros das igrejas. Uma das equipas Chivas Regal parece já arrumada. Esperemos que a outra o comece a ser já hoje.