Euro 2024 (Dia 12).
Na nossa memória futebolística, a maior e duradoura impressão que a seleção austríaca de futebol nos tinha deixado até hoje prendia-se com...os cromos da caderneta do Itália-90. Sim, essa do avançado Toni Polster. Havia por lá um cromo de um jogador austríaco que era uma espécie de santo graal, uma miragem impossível de se materializar, um desejo ainda maior do que aquelas carteiras que traziam um prémio á escolha (um malote, um porta-chaves, e, claro, o maior deles todos, uma bola Mikasa). Eventualmente esse cromo calhou a alguém, que logo tratou de o esconder da cobiça das vistas e dedos alheios, encetando a partir daí possíveis e vantajosas trocas comerciais ("este cromo por essa Mikasa+mais as cuequinhas de seda da tua irmã"). Pois bem, essa simples memória de antanho é agora adjudicada a uma outra bem mais gloriosa, a do dia 25 de Junho de 2024, quando a Áustria, liderada por uma exibição assombrosa de Marcel Sabitzer- o seu golo é a prova da máxima do Albert Camus: futebol é inteligência em movimento-, venceu os Países Baixos, ex-Holanda, e alcançou não só a qualificação para os oitavos-de-final, como o fez em primeiro lugar do grupo, á frente do seu adversário de ontem bem como da entediante França. Por isso, cromo austríaco mirífico e sebastiânico do Itália-90: já não precisa de se sentir tão solitário no agreste alojamento da minha mente. Também me recordo do Itália-Áustria do mesmo mundial e do golo do Squillaci. E do golo do Paulinho Santos em Viena, em 1995. Afinal, meu querido cromo, você está bem mais acompanhado do que eu pensava.






Comentários