sábado, 12 de janeiro de 2013

o BEM e o MAL- 4 (de 5)

...corriam rumores inquietos para o espirito de todos. Mauzão Digital dirigiu-se tarde e a más horas para os aposentos do Senhor Académico. Bateu com os nós dos dedos na porta mas não obteve nem ai nem ui. De mansinho a abriu e reparou que o Senhor Académico, prostrado e em transe, rezava em frente a um ícone de São João Delannoy. Acabado o ofício, Senhor Académico olhou surpreendido para Mauzão Digital e questionou-o sobre que estranhos sucessos o levavam ali a tão inusitadas horas. Este, sofregamente e limpando a testa com um pano gorduroso 4k, disse que Noé, o Discoteco, lhe tinha dito que cirandavam notícias sobre um possível ataque surpresa dos inimigos. O Senhor Académico riu-se a bom rir e disse a Mauzão Digital que não se inquietasse, pois "esses filhos da puta nem sabem o que os espera". Aconselhou Mauzão Digital a ir descansar para os seus aposentos e para não apoquentar o coração com tais disparates. Mauzão despediu-se e apanhou Noé, o Discoteco no corredor, dando-lhe sonoro e malévolo raspanenete sobre tãos desnecessários alarmismos. Noé aquietou a repreensão, e foi andando pelo castelo. Dentro em pouco estava nas masmorras, onde viu Haneke, o Montanhês sentado numa cadeira com pregos virados para cima e a ler artigos da Film Comment em direcção do menino Cinema Livre. Este gania e pedia clemência, mas sem sucesso. Noé, o Discoteco abandonou tais crueldades e caminhou em direcção à torre de menagem, onde Lars Von, o Marteleiro, olhava para as estrelas. Cumprimentou e sentou-se ao pé deste e começaram a discorrer sobre o que fariam depois da grande vitória que se avizinhava. Lars Von, o Marteleiro disse que a sua ambição era violar e massacrar qualquer mulher de qualquer idade da Aldeia do Bem. Noé, o Marteleiro aquiesceu e delirou, pedindo-lhe autorização para ser ele a filmar em 8k tais desventuras. Autorização concedida, voltaram a olhar para o céu. Noé, o Marteleiro desviou então um pouco os olhos para Lars Von e sentiu desejo de o abraçar e de lhe dar um beijinho, mas a resistência do pudor e das vergonhas não permitiu tais desmandos. Lars Von, o Marteleiro ignorava tais propósitos, pois imaginava se naquelas estrelas para onde olhava também existiriam mulheres para violar, torturar, decapitar, assassinar, queimar, cortar, esfrangalhar e abusar. Pensou alto e murmurou "hummmm...". Nestas condições ia a noite em terras do Mal. Por outro lado, nos domicilios do Bem...

...revigorava-se a mente e a musculatura após o jantar preparado por Coppola, o Bezanas. Todos os Cavaleiros do Bem se encontravam na sala de cinema, onde se alimentavam com diversa docaria: Vertigo, L' Atalante, Le mépris, The Searchers, Sunrise, Tokyo Story, e para espanto de todos 4:44 constituíram o caldeirão da noite e da madrugada, e quando tudo terminou os Cavaleiros estavam prontos para mil batalhas. Depois de abraços e beijinhos, houve um momento de algum agravo. Cronenberg, o Carnudo, perguntou a Sérgio, o Belo porque estava ali no cardápio 4:44 e não o seu último filme. Os rostos tornaram-se sombrios e havia temores no ar. Tomando as rédeas da situação, e provido que era de espirituosismo, o Mestre disse bondosamente:" A limusina não cabia na magia da tela". Houve uns segundos de silêncio e depois rebentamento de riso, com vários dos Cavaleiros caídos no chão em corropio de gargalhos. A boa disposição era total, e Sérgio, o Belo abraçou e deu um beijinho em Cronenberg, o Carnudo para que não se embaraçasse com coisa pouca. Findas as pantominas, o rosto do Mestre tornou-se sombrio e disse que ia abordar um assunto da maior gravidade. Disse então que sabia por fonte segura que certas informações tinham chegado ao inimigo e que por tal razão havia um espião naquelas bandas e que por esse motivo pedia a todos os que ali se encontravam a colocarem os telemóveis num saco e a dormirem ali mesmo na sala do cinema, como cautela e prevenção. Mais disse ainda que os planos seriam alterados na manhã seguinte e que "aquela cáfila nem sabe o que a espera". Todos olharam para todos e obedeceram ás palavras do Mestre. Este agarrou na saca com os telemóveis, despediu-se de todos, fechou a porta e correu o robusto ferralho. Os Cavaleiros agarraram nas mantas e puseram-se nos seus devidos lugares para a viagem dos sonhos, cada um deles imaginando que ratazana andaria por ali. Ferrara, o Onanista apagou a luz e dentro em pouco ressonanços da mais cristalina bondade traziam ao aposento um belo aroma musical. Começava a cheirar a Napalm...