domingo, 18 de setembro de 2011

o Miguel Sousa Tavares americano.


É conhecida a frase de Truffaut sobre John Huston: O pior Hawks é mais interessante do que o melhor Huston. O que não se sabe é que o François estava a dizer (ou a escrever, who cares) esta parvoeira com um único fito em mente: cona. É verdade. É a cona que regula o mundo. François (e qualquer gajo com os colhões cheios dele) sabe que estas bordajeiras caem sempre bem em meninas impressionáveis com jovens impositivos. Daí a catrefada de mulherio que o homem teve. Ou acham que ele escrevia e dizia (como o Jean Luc) estas sensacionais one-liners com convicção cinematográfica? Não, senhor. Conita. Molhadinha. Não se esqueçam disto da próxima vez que estiverem na Cinemateca e na esplanada, na mesa ao lado, estiver sentada uma boazuda desejosa de ser esventrada por um gajo que prefere comer um cagalhão do Ford a ver um minuto que seja do Van Sant. Bom, quanto a esta Fat City, é das melhores colheitas Hustonianas, dos, meu deus virgem maria, anos 70 e já com o studio system fora do campo de visão, para grande desgosto de John, que o adorava, o que é natural, eu gosto muito é de alheira, embora nunca tenha provado a de Mirandela. Bares de lonely people, ginásios bolorentos, ruas poeirentas, pensões minúsculas e desarrumadas, canção melancólica de Kris Kristofferson: sim, é uma obra com e sobre os vencidos, com um Stacy Keach a pingar derrotismo por cada poro. Filme de ruas e de balcões de mármore. E a aridez fotográfica de Conrad Hall. Qualquer segundo de Fat City é superior a cinquenta milhões de Tarkovskys. Cadé o mulherio?