domingo, 7 de outubro de 2012

1985.


Estranhas coisas acontecem no mundo dos cinemas. Tão estranhas que nem o Professor Fofana e demais sábios do Martim Moniz saberão explicar. Como por exemplo: porque é que uma punheta mal batida ao Spielberg, de seu nome Super 8, tem uma carga antecipatória e publicitária que faria inveja a um concerto dos ufandos U2, e este delicioso The Hole, que na pior das hipóteses e só na mente de cabeças malévolas é uma brilhante punhetada de Joe Dante nele próprio, portanto sem promiscuidades que fariam vergar de vergonha o César das Neves, passou mais despercebido que uma mama da Paris Hilton naquele video de merda que ela fez com um dos seus chulos? Ambas as obras com alusões fantasiosas, ambas com actores  jovens desconhecidos, ambas incursões nos medos juvenis, e depois caminhos diferentes nas cadeias distributivas e exibicionais e, no que interessa, na qualidade, pois o primeiro é uma junção atabalhoaada, sem mise-en.scène, dos caminhos Spielberguianos, Zemeckianos, Dantianos e dos demais punheteiros dos anos 80, e o segundo é só quase coisas boas, tais como:

-contínua desvirtuação das expectativas do espectador
-primeiro acto assombroso de síntese narrativa
-uma banda sonora na corda bamba entre a paródia do género e a homenagem evocativa (aquele assobio  parental, estranhamente, faz-me lembrar o Night of The Hunter)
-uma personagem, a de Halley Bennett, que se enquadra no primeiro tópico
-recalcamentos psicológicos da mais fina estirpe
-last but not the least, citações avulsas e gostosas de Dante a Dante (e ainda ao outro Dante, o dos Infernos), o que é muito bom, sobretudo porque eu sei que irrita aqueles que não gostam de citações e de "cinema".

O Dante está vivo. Se for preciso realizar CSIs para depois me dares isto, ó Joe, 'tás à vontade. Extrai bom dinheirinho desses idiotas, digo eu.