segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Cadé o meu smartphone? ( e a t-shirt "do Che"?).



populista de esquerda ganha eleições democráticas: bravo! reposta a justiça! viva o humanismo! agora sim, agora é que se vai viver! castigo exemplar para os experimentalismos sociais e económicos da direita! morte ao fascismo! morte ao capitalismo! vamos todos ouvir os Sex Pistols e ver os filmes do Gódárde! cadé o meu smartphone?

populista de direita ganha eleições democráticas: escândalo! uma injúria aos valores universais! fim do mundo vem aí! vou já sair do país! onde pára o "Maio de 68"? vêm aí experimentalismos sociais e económicos de fazer vomitar cabras! estas eleições foram falsificadas! vamos para a rua brincar aos anarquismos! morte ao fascismo! morte ao capitalismo! vamos todos ouvir os Sex Pistols e ver os filmes do Gódárde! cadé o meu smartphone?

populista de esquerda rebenta com a economia nacional: a culpa é da globalização! a culpa é dos EUA! a culpa é das corporações e dos seus interesses! a culpa é de um sistema financeiro injusto! responsáveis? a cupidez dos ricos! a culpa é de um sistema de pensamento insidioso que obriga o ser humano a ser individualista e ambicioso! morte ao fascismo! morte ao capitalismo! vamos todos ouvir os Sex Pistols e ver os filmes do Gódárde! cadé o meu smartphone?

populista de direita rebenta com a economia nacional: inevitável! é o resultado de politicas desastrosas! precisamos de um Castro em cada esquina! especulação financeira repugnante! desregulamentação dos mercados capaz de matar um velhinho de susto! eu já tinha avisado isto há imenso tempo! papá, compra-me Marxs pó natal! morte ao fascismo! morte ao capitalismo! vamos todos ouvir os Sex Pistols e ver os filmes do Gódarde! cadé o meu smatphone?



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

"Passava mais tempo a matutar sobre o que podia escrever do que a escrever de facto."

A Colheita, Flannery O'Connor

terça-feira, 27 de setembro de 2016

...e cigarros e café.


 El amor es lo único que importa en esta vida aparte de la cerveza. Si encuentras a una persona a la que puedas amar y con quien puedas compartir tu vida, que en el resto de facetas de tu vida seas un desastre carece de gravedad.

daqui.

domingo, 25 de setembro de 2016

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O escavador

Com a morte de Abbas Kiarostami, trememos e tememos. Trememos: e agora, existirá outro cineasta tão capaz de a cada filme nos desarmar, de nos fazer amar os seus filmes, misteriosos e belos? Godard, sempre à frente, já previra que o cinema acabava com Kiarostami. No entanto, o desaparecimento de um enorme cineasta, nosso contemporâneo, faz-nos ainda temer, porque achamos que a este “menos um” não se vai contrapor um “mais um”.

Falar-me-ão os mais optimistas de outros cineastas fabulosos e das múltiplas formas que temos para lhes aceder (um acesso democrático, chamar-lhe-ão), ao contrário de tempos passados, em que as Cinematecas ocupavam o lugar-templo do espectador-religioso (seriam elas ditadoras?).

Vamos imaginar que estes optimistas me falam do Jia Zhang-ke e do Pedro Costa – de facto, dois cineastas magníficos – e que esplendoroso é o tempo em que podemos descobrir os seus filmes no momento em que eles são exibidos pela primeira vez; imagine-se, um cineasta que trabalha marginalmente num pequeníssimo país da União Europeia e outro do mais poderoso país da Ásia. Poderíamos nós, se espectadores em 1963, descobrir ao mesmo tempo o “Verdes Anos”, do Paulo Rocha, e um grande filme chinês desse ano (desculpem-me a falta de exemplo, mas conheço mal o cinema chinês)? E mais para trás, então? Convenhamos que, se não impossível, a dificuldade era certamente muito maior.

Se foi possível, antes desta “democratização do acesso”, o mundo chegar a cineastas tão “distantes” uns dos outros, creio que isso se deve à escavação feita por espectadores-programadores. E se acho essa escavação importante, não o é por causa de nenhum romantismo bafiento, mas porque essa escavação vinha já acompanhada de um pensamento crítico sobre o que se tinha visto e o que se ia mostrar. A programação obedecia a ideias.

Hoje não é preciso escavar para chegar ao Jia Zhang-ke e ao Pedro Costa. Basta consumir. Porque embora muito melhores cineastas do que, sei lá, o Nicolas Refn ou o Xavier Dolan, eles nos chegam exactamente pelo mesmo canal – o mercado. Satisfazem nichos de mercado. É sintomático que os grandes festivais (e os pequenos?) tenham os seus mercados, onde os filmes são transaccionados para depois serem disponibilizados a consumir. Um Refn com o Goslign vale x, um Costa com o Ventura vale menos – mas tem valor de mercado e rentabiliza-se. Onde está o pensamento crítico do escavador? Não deixou de existir pensamento crítico, mas ele está dissolvido no meio dos publicitários e é preciso muito esforço para o encontrar. Em Cannes, Xavier Dolan ganha o Prémio do Júri, ex-aequo com Jean-Luc Godard. Vale tudo porque, no mercado, tudo vale – e porquê valorizar um, se podemos valorizar dois?

Nada disto é novo. O que é “novo” é Abbas Kiarostami já não estar entre nós. E, um dia, distante espera-se, Jia Zhang-ke e Pedro Costa deixarão de estar também. O que me pode dizer o optimista sobre o possível cenário desse futuro, em que essencialmente teremos cineastas logo laureados à primeira obra, porque não há tempo a perder para valorizar? Recordemos que, por exemplo, Pedro Costa (mais até do que Jia Zhang-ke) ainda foi sendo descoberto internacionalmente de forma “devagar”.


Nesse futuro, definitivamente, não existirá mais a figura pública de escavador, substituído pelo comerciante e pelo consumidor. Sem lugar nas salas de cinema, onde antes ditatorialmente se programava, o escavador, clandestino, viverá a sua democracia online, recluso em casa, digitando uma senha em sítios obscuros para poder ver “outros” filmes.

Filmes intocáveis da "História do Cinema" que com muito gosto mandamos para o caralho mais velho (1).


"mamã, olha o que se pode fazer com uma câmara!"

consultar: onanismo.

filme deveras apreciado por Terminators revestidos de pele humana.

dois dias depois de estrear, já estava desatualizado.

é o filme curto mais longo de sempre: aos dez minutos já passaram três horas.

numa escola do cinema, senão gostar do filme, terá um castigo exemplar: terá de o rever.

a maior parte destas "sinfonias das cidades" dos finais de vintes são umas valentes palhaçadas.

boa noite.




sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Serviço público.



I'm finished

Um gajo sabe que se está (momentaneamente, pelo menos) a cagar para o cinema quando estreia um filme do Winding Refn e nem há um assobio de indignação. Abraço, Nicolas.

Napalm há três anos, sobre a estreia de um filme do Refn:

FILHO DA PUTAAAAAAAAAA!