Em boa verdade, um dos episódios curiosos na história da crítica e análise cinematográfica aconteceu numa certa ocasião em que, enquanto Capitão Napalm demolia com raios e coriscos um filme de um tal de Desplechin, Daniel Pereira preparava o assado de um rolo de carne.
- Desplechin? C'est l' amour, c'est la jeunesse, c'est le amour fou e o caralho que o foda. Arranjem-lhe uma boina e uma baguete e franciú mais cliché não poderá haver.
- E acompanhamos isto com salada ou bróculos? Salada dá menos trabalho.
Como a minha memória para cousas absolutamente inúteis é proporcional ao esquecimento das coisas verdadeiramente importantes, é com gozo que recordo aqueles tempos entre o Showgirls e o Black Book em que a obra do homem aí de cima foi, por esta terreola (alastrada ao restante planeta, suponho), enxovalhada e classificada algures entre radioactividade cancerígena e pior do que comer merda. E só não recuo mais no tempo, porque nessas épocas ainda só lia os livros da Ana Maria Magalhães e da Isabel Alçada e o Calvin e Hobbes na última página do Público, mas desconfio que tenha sido igual ou pior. Mas agora, embora longe do unanimismo (goody), já podemos dizer ou escrever, enquanto fumamos com distanciamento, "Showgirls? Não houve outra forma mais sublime de filmar a América nos anos noventa" "Mas dizes isso porque é o que sentiste a ver o filme ou porque leste o Rivette?" "Cala-te! Injúrias soezes! Não me deixo influenciar! Tolo! Até já estou a fumar sem pose por tua causa! ". Coisa igual ou parecida aconteceu com o Michael Mann, que antes do Miami Vice era um mero formalista insípido e telenovelesco, para hoje em dia cada um dos seus filmes ser aguardado com a mesma devoção com que o rebanho espera pelo Messias. Bem vindo à terra da respeitabilidade, Paul. Agora vai lá filmar cus e tetas pá gente; se vier com o invólucro da "sátira", melhor ainda.
Como escreveu um user no You Tube, a miúda só escapou ao caçador e teve o beneplácito dos anões porqueera hot.
Trois Coleurs: Bleu, Kieslowski- *** Trois Coleurs: Blanc, Kieslowski- *** Trois Coleurs: Rouge- **** Sunset Boulevard, Wilder- ***** Shadow of a Doubt, Hithcock- ***** Dick Tracy, Beatty- ***** Snow White and the Seven Dwarfs, Disney e servos- ***** Marfa Girl, Larry Clark- ****
Desculpe, mas eu não consigo fazer pior do que isto, disse uma vez um produtor confrontado com as críticas de um director de TV.
Lock Up, Flynn- **** (Maravilhoso 1989) Road House, Herrington- **** (A obra culminante do cinema azeiteiro. Maravilhoso 1989.) All That Heaven Allows, Sirk- ***** American Graffiti, Lucas- *** Knigh Of Cups, Malick- *** (É tudo o que esperávamos e ainda melhor. A comédia involuntária atinge níveis bíblicos.) Irrational Man, Woody- ** Crimson Peak, Del Toro- * Unfaithful, Lyne- *** (O sentimento de culpa de gostar da maior parte dos filmes do Adrian Lyne só será mitigado quando for rico e estiver num restaurante como um daqueles do American Psycho a discutir spreads e assim. Com charuto. ) Nothing Sacred, Wellman- ****
Larry Clark style.
Deliverance, Boorman- ****
Mustang, de uma gaja turca- * (Mal aconselhados pelo brilhante Sérgio Santos, lá nos aventurámos na visão deste retrato encharcado naquele moderno "naturalismo" de indistinta câmara-vérité. Ainda por cima, besuntado em feminismo que até faria a Dr. Maria Velho da Costa torcer o nariz. Dá vontade de apelar aos maus fígados do Dr. Erdogan.)
Secret Sunshine, Lee Shang-dong- ***
Plunder Road, Cornfield- **** (merece a mesma notoriedade do Detour. Também um filme cheio de "ética do trabalho", Serra fideputa.)
Prometheus, Scott- * (ver o Alien de 1979 e ver o Prometheus de 2012 traça exemplarmente no que se tornou o Ridley Scott. The Circle is complete!)
Professor João Lopes desmaia.
Riot in Cell Block 11, Siegel- **** Poseidon, Petersen- ** (rir) Glomdalsbruden, Dreyer- **** (Que maravilha são os mudos do Carlão. Menos um.) The Walk, Zemeckis- *** House of Wax, de Toth- ****
uns poucos de filmes com a Emma Roberts, a segunda maior obra de arte na vida pessoal do grande Eric Roberts (maravilhoso 1989)- todos medianos/medíocres, e nós assobiar para o ar.
Ne Change Rien, Costa- sem nota (Aguentei vinte e cinco minutos. Balibar, mete-te no caralho mais a tua pose auto-consciente.)
Malick e as suas luzes.
Roma, città aperta, Rossellini- *** (os filmes "neo-realistas" -mesmo os melhores- do mestre não valem, hoje em dia, um pêssego furado colocados lado a lado aos seus trabalhos na televisão. )
Meitû bijomaru, Mizoguchi- ****
Procès de Jeanne d'Arc, Bresson- **** (muito melhor do que o do Dreyer. Nunca vi o do Rivette nem o do Preminger.)
Dawn of the Dead, Romero- ** (a obra-prima não está aqui, mas no seguinte.) Martin, Romero- **** Jezebel, Wyler- **** Nazarin, Bunuel- *****
Amer, Cattet, Forzani- *** (o giallo e seus respectivos mestres reduzidos a um formalismo obsessivo. Excepcional trabalho sonoro. "Um filme desequilibrado".)
Apenas ultrapassada pelo Best of the Best.
The Maltese Falcon, Huston. *** Spy, Feig- ** (As duas estrelas são pelo Jason Statham.)
Spiclenki slasti, Svankmajer- *** (Outro exercício de estilo delirante. A visceralidade do som é tão impressionista e detalhada que quase nos esporrámos.)
Cruising, Friedkin- *** (Precisava de ser desbastado em alguns minutos, nomeada e mormente certos momentos "João Pedro Rodrigues". Como programa voyeuristico, contudo, é óptimo.)
Open Windows, de um gajo com o Elijah Wood e a Sasha Grey- * (impagável o momento em que a Sascha demonstra uma extrema perturbação por mostrar as mamas.)
Ils, Moreau, Palud- *** (Terror clássico versão francesa. É do bom.)
Escape libre, Becker- **** (Belmondo e Seberg pelas ruas da Europa. Caper movie com champanhe. Cahiers não gostaram.)
Kiss me Deadly, Aldrich- *****
Que me perdoem os fãs da Irène Jacob e da Julie Delpy.
Attack, Aldrich- **** Collateral, Mann- ***** (Blackhat=lol.) The Color of Money, Scorsese- **** Une Nouvelle Amie, Ozon- *** (Um bom filme, para variar.) The Graduate, Nichols- ** (Como é que isto ganhou tanto estatuto?) Tomorrowland, Bird- Merda Terminator: Genesys, um gajo- Merda
Fast and Furious 7, Wan- Ultra-merda (embora aqui a responsabilidade do realizador pareça-me ser diminuta. A engrenagem dos filmes desta série já ganhou vida própria, e engole qualquer um que venha com ideias de dar o mínimo comedimento formal a esta parada de chulos, putas e fufas. O Kiarostami não faria melhor. O Vin Diesel é escabroso.)
Silvestre, Monteiro- *****
Jack Reacher, McQuarrie- **** (Este Mcquarrie, juntamente com o Matt Reeves, parecem-me ser dois realizadores de encomenda com os seus devidos luxos.)
Il tram, Argento- **** Man in the Shadow, Arnold- **** Manhunter, Mann- **** (Blackhat=lol.) Prodigal Sons, Kimberly Reed- ***** (Um dos melhores filmes americanos dos últimos dez anos.)
Todos os filmes do Harold & Kumar- ***
O Deliverance tem um plano a mais.
Policeman, Navad Lapid- *** Cristovão Colombo- o Enigma, Oliveira- **** The Texas Rangers, Vidor- **** Willow Springs, Schroeter- *** The Sixth Sense, Shyamalan- ***** The Spanish Earth, Ivens- ** Amour Fou, Hausner- *** Vampyr, Dreyer- ***** The Leopard Man, Pedro Costa, perdão, Jacques Torneur- **** At Land, Maya Deren- *** Les Noces Rouges, Chabrol- **** The Idle Class, Chaplin- ***** Lionheart, Letich & Van Damme- **** Jupiter Ascending, manas Wachowski- 0 Bound, manos Wachowski- **** Juste avant la nuit, Chabrol- ***** Last of the Mohicans, Mann- **** (Blackhat=lol.) The Seventh Victim, Mark Robson- **** The Big Shave, Scorsese- *** Crime and Punishment, Sternberg- ***** Minato no nihonmusune, Hiroshi Shimizu- *****
Posicionamento defensivo do FCP versão Peseiro- *
Organização ofensiva do FCP versão Peseiro- ****
"os mercados olham com desconfiança para o próximo Orçamento de Estado do governo português"- *****